Releases - DISCURSO NO BRICS - “DESENVOLVIMENTO INTERLIGADO, INOVAÇÃO CONJUNTA E BENEFÍCIOS COMPARTILHADOS”

Exmo. Sr. presidente da mesa que dirige esses trabalhos,

Exmas. autoridades presentes ou representadas.

Senhoras e senhores anfitriões desse grande país amigo que é a China.

Senhoras e senhores dos países membros desse fórum.

Brasileiros aqui presentes.

Minhas senhoras e meus senhores.
 

Venho de um país distante, situado na zona tropical do mundo, na América do Sul, onde o sol marca presença quase o ano inteiro, todos os anos, despejando sobre nosso solo energia, luminosidade e fertilidade. Às vezes este sol torna-se inclemente, afasta as chuvas e mostra, em certos recantos, a face cruel da seca.

Neste país, que é o meu Brasil, vive um povo laborioso, criativo, alegre, acostumado a enfrentar dificuldades e a encontrar soluções para os problemas que surgem. Esse povo, que é o meu povo, nunca desanima e vive abraçado o tempo todo com a esperança.

É desse povo que lhes trago um abraço afetuoso. E trago-lhes também uma saudação fraternal da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais do Brasil (Unale).

A gente brasileira, contudo, foi atingida, nos últimos anos, por fatores diversos que lhes tem dificultado a vida. Alguns desses fatores são internos e nós é que temos de superá-los. Outros são externos, atingem outros países de desenvolvimento semelhante ao do Brasil, e só podem ser enfrentados em um contexto global.

A crise que assolou quase toda a economia mundial, a partir de 2008, é um desses fatores externos. Ela tem cobrado um alto preço, por exemplo, à economia de meu país e uma das consequências mais evidentes que essa crise trouxe foi a desindustrialização.

É sabido que em países desenvolvidos, com altos índices de desempenho econômico e de serviços, a partir de determinado momento a atividade industrial se retrai e cresce a importância do terceiro setor.

A situação é diferente no Brasil e em outros países em desenvolvimento. Nestes, o nível de desenvolvimento ainda é precário e a desindustrialização que aí aparece é uma desindustrialização precoce, sintoma, não de um grande desenvolvimento, mas da falta dele.

Para se ter uma ideia, no Brasil, na década de 80, o peso da indústria no Produto Interno Bruto (PIB), do país era de 33%, e hoje está em 16%. O efeito mais dramático que decorre desse fenômeno é o desemprego, que hoje chega a 13,7% da população economicamente ativa, envolvendo mais de 14 milhões de pessoas, um recorde em termos de Brasil.

Os países em desenvolvimento que enfrentam esse problema empenham-se em retomar a industrialização. Procuram fazer uma espécie de reindustrialização.

Mas o esforço pela reindustrialização choca-se com outro fenômeno, os novos padrões da indústria moderna, fundada em tecnologias digitais, em automação, na internet, na conectividade de pessoas, lugares e coisas.

Assim, quem ficar isolado não terá oportunidade de se inserir na situação nova que o mundo vive, onde já está surgindo uma nova divisão internacional do trabalho e já se fala até em uma 4ª Revolução Industrial.

Essas observações realçam a importância fundamental do grupo político de cooperação formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, conhecido como “os BRICS”. Através das iniciativas desse grupo, o intercâmbio entre as nações em desenvolvimento poderá aumentar, o desenvolvimento poderá ser mais interligado, os benefícios poderão ser mais compartilhados e a pesquisa e a inovação poderão ser mais conjugadas.

Minhas senhoras e meus senhores.

A região do Brasil de onde eu venho é o Nordeste, de precário desenvolvimento. Dentro dessa região, a minha cidade, Guanambi, é conhecida como uma cidade de dinamismo acentuado, que busca o progresso e experimenta as tecnologias novas que surgem. Em passado recente, foi um dos maiores polos de todo o Brasil, na produção e beneficiamento mecanizado de algodão. Essa fase acabou.

Mas Guanambi não se acomodou. Incrementou o surgimento de pequenas e médias empresas e transformou-se em polo de atração comercial e educacional para mais de 40 municípios.

Contando com ventos favoráveis, veio a abrigar, com mais dois municípios vizinhos, Caetité e Igaporã, o maior complexo de produção de energia eólica da América Latina, com capacidade instalada de 386 MW. Na nossa Região Nordestina, a fonte de energia limpa, a eólica, para geração elétrica, em muitas vezes, já supera a hidráulica e a térmica. Para nós do Brasil, uma cifra muito alta.

Por ser um país abençoado pelo sol, esse rico potencial de fonte energética, permite que a nossa região de forma pioneira esteja implantando um parque solar com capacidade de geração de até 60MW.

Destacamos ainda, a construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), obra que levará a Bahia a um estratégico desenvolvimento de sua infraestrutura logística, principalmente, para o transporte de grãos e minérios. Os trilhos dessa obra também passarão pela nossa região, contribuindo ainda mais para essa jornada de progresso.

Essas realizações serão fortalecidas com as experiências que se processem no âmbito dos BRICS.

Para a minha cidade, Guanambi, para o Brasil e para os países em desenvolvimento, é uma esperança e um desejo ardente que o papel e a influência dos BRICS cresçam, propiciando maior intensidade no intercâmbio tecnológico, na pesquisa, inovação, comércio, complementação e nos benefícios mútuos.

Não poderia encerrar essas minhas rápidas palavras sem manifestar meu respeito e admiração pelos povos trabalhadores da Rússia, Índia, China, África do Sul e da minha querida pátria, o Brasil.

Os povos trabalhadores desses grandes países, são os verdadeiros artífices dessas nações, os autênticos heróis que as constroem.

O mundo hoje ainda convive com confrontos e ameaças de guerra. A opção dos povos é, entretanto, pela paz. Paz que deve ser buscada através do desenvolvimento harmonioso, dos entendimentos, da solidariedade, do respeito entre os estados, da não agressão e não interferência em assuntos internos uns dos outros.

Que o intercâmbio internacional floresça, que o desenvolvimento se intensifique, que as desigualdades diminuam.

É o que desejamos.

Muito obrigada.


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